quinta-feira, 19 de junho de 2014

Claude Farrère - Fumaças de Ópio - O Palácio Vermelho


O PALÁCIO VERMELHO

Infalivelmente, eu não sou mais um homem… Mas sou um homem completo.

Disso, não há nenhuma dúvida. Já não há nada em comum entre Eu e a raça humana, mais nada: nem sentidos, nem pensamentos. Apenas, é claro, a vida — pois ainda vivo e essa é uma coisa paradoxal! É claro que a vida funciona em mim por forças essencialmente diferentes e que engendram os fenômenos vitais sobre uma forma totalmente nova e superior. Mas, aventura certamente única! Eu não me transformei em outra coisa: nem em cadáver, nem em fantasma. Absolutamente em nada. Meu corpo está aqui, eu o vejo e eu o toco; um corpo de homem, certamente. Para adquirir sua constituição atual, meus sentidos e meu pensamento não necessitaram deixá-lo. Se bem que, mesmo conservando minha aparência precedente, esse que foi o meu semblante deve ter mudado. Eu rompi com a terra, mas sem prender o pé no mundo do além. E agora sou parecido a uma alma penada, oscilando entre o interregno de suas duas épocas, qualquer coisa como uma criança rejeitada já no ventre materno, mais ainda, elevada à claridade do dia.

Por mais barroco que isso seja, eu não estou assombrado. Em suma, eu simplesmente cheguei a isso, porque meu ego aperfeiçoou-se muito rapidamente — antes da época marcada — e nada mais. Eu me recordo de ter visto outrora o incêndio de uma propriedade no meio de um pomar. Isso foi na primavera. Do início da noite até o amanhecer, os pêssegos e os abacaxis ficaram pesados e vermelhos, mortos pelo fogo. Entretanto eles não caíram, porque os ramos que os seguravam estavam demasiados verdes. Assim como o meu corpo mantém-se vivo, criador de mim — criador de mim — enquanto que estou morto… e já nascido para a vida superior do além.

Verdadeiramente não; eu não estou surpreso. Pois, refletindo melhor: qual a razão de uma simultaneidade obrigatória entre nossas duas mortes, a morte do ser e a morte do envelope? Nenhuma! O envelope pode tocar a sua segunda vida — a podridão. Enquanto que o ser, jovem e inculto, permanece de fato impróprio ao mais além, e assim reciprocamente. Nada de mais verdadeiro e de mais lógico. Basta algum incidente, um calhau sobre a estrada, uma causa qualquer imperceptível, o incêndio que deveria matar os meus pêssegos, o ópio que, pacientemente, cachimbo após cachimbo, já substituiu o sangue das minhas veias. Pois eu já fumei meu próprio peso em ópio, durante minha vida e muito mais ainda depois que o meu ego morreu. E o ópio certamente foi a causa. A vida do meu ser foi acelerada, e portanto encurtada, enquanto que a matéria orgânica do meu envelope prosseguiu normalmente a sua evolução.

Mais uma vez… nada de mais verdadeiro e nada de mais lógico. O ópio imaterial, o ópio prodigioso, pode… e isso é bem a seu gosto, não é? — Alçar um homem acima de todos os homens e o resgatar absolutamente dessa substância grosseira, e, se for necessário, pela deterioração, pela ruína, pela supressão desta mesma substância?

Esse é um pouco o meu caso. Meu corpo ainda está vivo, sim, mas não intacto; o ópio com o seu emagrecer acentuado, o atenuou na verdade, para que ele não me estorve mais; para que o além me seja mais acessível. Portanto, sou mais herói do que foram os ascetas, quanto a força de disciplina e de penitência, — procedimento bárbaro e pueril — eles quase domaram os seus sentidos animalescos. Quanto a mim, há muito tempo que os meus sentidos ingressaram no vazio!

Entretanto, meu corpo: diminuído, atrofiado, amputado, vive! Ele aí está, eu o contemplo e o toco. E por ele conservo uma ligação com a Terra. Este céu, o céu de todos os homens, é o mesmo céu que eu vejo: azul para mim assim como para eles, e pontilhado de estrelas brilhantes. Este é o mar salgado que marulha nos flancos do meu barco, e o nevoeiro das ramagens que me dá frio. Eu escuto o barqueiro cantando a sua canção, harmoniosa aos ouvidos humanos e não me parece discordante. E ainda conservo, certamente, o ar de ser humano.

 

 

Eis a costa e a escadaria de pedra que me serve de cais: atrás de mim, o Boghasi geme sua queixa noturna e corrói eternamente os dois continentes por ele separados. Em frente, o Palácio Vermelho, deteriorado e deserto, esconde o horizonte com sua massa sangrenta.

Na entrada, a sentinela se apoia pesadamente sobre seu fuzil e o vermelho do seu turbante se confunde com o vermelho da muralha. Aqui, ninguém entra de maneira alguma, sob pena de perder a vida. Mas eu trago ópio para o sentinela, que também é um fumeur, portanto, a franco-maçonaria da droga nos liga. Quando passo, ele nem me vê mais. Caminho de encontro a antecâmara, sob as grandes vigas que tombarão dentro em breve, corroídas pelo tempo, subo as escadas revestidas de tapetes — de tapetes usados somente pelo pó — e, num dos quartos altos de onde se distingue, por detrás, o parque em anfiteatro sob as cumeeiras… foi ali que fiz a minha fumaria.

Ela não é mais que um tapete, — um velho Bockhara esquecido na mansarda — uma bandeja de cobre fundido, um cachimbo de bambu negro e uma lâmpada que fumega sob seu vidro remendado. As paredes de madeira estão nuas e a pintura das vigas já se descascaram. Mas pela janela sem vidro, vejo o parque, quarenta vezes centenário, e me deixo entrar livremente nesta sua majestade formidável.

E nenhum ruído o perverte, salvo o cingir do vento que se rasga nos ramos pontudos das árvores mortas.

Agora, me deito sobre o flanco esquerdo, e antecipadamente, preparo meu primeiro cachimbo.

 

O Palácio Vermelho é uma residência antiga, construída não se sabe por quem. Muitos senhores já o habitaram, e quase todos morreram de uma morte trágica. Um destino perigoso ronda em torno dessas muralhas e se embosca junto às portas e sob as espessas sombras das árvores do parque.

Antigamente, morou aqui um príncipe: um príncipe grego, célebre na história; seu nome significa traição. Naqueles tempos, o Palácio Vermelho estava repleto de luxo e esplendor. Vários escravos de todas as raças o circulavam e somente os visitantes nobres vinham saudar o Senhor, sempre trazidos em barcos capitanias de quatorze remadores. O príncipe estava velho e poderoso. A idade e o orgulho lhe forjaram um coração de ferro. Frequentemente, por pequenas ofensas, ele condenava aos piores suplícios seus servidores e seus eunucos. Inúmeras cabeças tombaram sob a sua cimitarra, e o terraço do parque impregnou-se de sangue. — E eu sei que esse sangue veio mesclar-se com os traços de um outro sangue mais antigo, de um sangue horrivelmente derramado sobre este mesmo terraço, e a tantos séculos antes, que dele não há mais lembranças.

Ora, uma tarde, vários mudos transpuseram o portal. Um chefe os comandava, trazendo um pergaminho verde, defronte o qual todo mundo se ajoelhava. O príncipe, brutalmente detido em seu próprio quarto, não opôs nenhuma resistência e dobrou-se a essa assinatura augusta. Aqui, neste prego da viga, uma corda foi pendurada e o príncipe nela pendeu. Quando o sangue violeta verteu dos lábios exangues, quando os artelhos contráteis cessaram suas convulsões, os carrascos cortaram a corda, depois extirparam a cabeça, para levarem-na ao soberano. Por três dias, o corpo decapitado permaneceu sem sepultura — aqui, sobre essa tábua do assoalho. Os escravos fugiram espantados. E foi uma mulher, vindo não se sabe de onde, que enterrou furtivamente o cadáver, — ali abaixo, no parque, ao pé da mais alta zaragatoa — no mesmo lugar onde, cem anos mais tarde, uma outra mulher enterrará o cadáver de um cão.

Depois, o Palácio Vermelho viu outros senhores. Mas nenhum deles dormiu sem temor, e ele levou a desgraça a todos. Mesmo o soberano, cujo selo, marcado sobre o pergaminho verde, ousou transpor o maldito umbral e comandar sob seu teto perigoso, conheceu um futuro sombrio: deposto por seu povo, ele foi morto, estrangulado dentro de um calabouço. Seu império desmoronou na vergonha e no sangue. Os povos belicosos o assaltaram de todas as partes. Os príncipes aureolados pelo destino partilharam seus despojos.

E agora, o estandarte imperial, farrapo irrisório, se agarra apenas a alguns campos agrestes, a algumas praias desertas e a alguns fortes demolidos — trapos vis que foram desprezados pelos vencedores.

E o Palácio Vermelho, hoje em dia desmoronando e vazio, o Palácio Vermelho, coisa misteriosa, aguarda apenas, para acabar de tombar em poeira, que o império termine de agonizar.

 

Sim… eu não sou mais um homem. Sou um homem completo. Porém, ainda não me transformei em outra coisa.

Eu estou assim, como que no meio da ponte, longe de uma margem e longe da outra. E certamente, ninguém pode viver no meio da ponte. É necessário passar, avançar ou retroceder.

Recuar, voltar a ser homem, eu não penso mais nisso. Pois, mais exatamente, eu já estou morto, e isso me faria ressuscitar. Coisa claramente impossível. Ressuscitar, retornar, eu não posso mais, eu não conseguirei mais.

Avançar, eis o que se deve fazer. Mas avançar o quê? Tornar-se, — tornar-se o quê? Tornar-se fantasma, de quê maneira? Me matar, isto é, matar meu corpo? Mas esse procedimento, brutal e repugnante, não me dá nenhuma certeza. Sei eu exatamente o que resultaria de minha morte física? Seria prudente aventurar dessa maneira, com um lance de dados essa prodigiosa parte, essa casca única que é minha? Certamente que não. Acima de tudo, é importante nunca se desfazer de nada que depois não se possa reabilitar.

Eu desconfio portanto, que não posso me matar. Mas, sabendo disso, eu ainda continuo na incerteza.

O melhor então, por consequência, é aguardar, — aguardar, ainda que a espera seja penosa e fatigante, — aguardar e fumar.

Se estou aqui, dentro do Palácio Vermelho, nesta tarde, após tantas outras tardes, não é para desatar esse nó górdio que me envelopa, — porque eu ainda não sei desatar esse nó e nem vejo como cortá-lo. Não, é somente para esperar e para fumar.

O ópio, aliás, é o único calmante a essa minha ansiedade, porque somente ele poderá me aproximar dos nomes dos fantasmas, afastar o véu opaco que separa o aquém do além. E justamente nessa hora, ele me mandará desatar o nó por mim mesmo, e me transformará em fantasma. Enquanto isso, a cada noite, ele me entrega, visíveis e tangíveis aos sentidos novos que ele me dá, os seres do outro mundo, do mundo ao qual estarei em breve. E eu saboreio, graças ao ópio, a joia dolorosa do exílio que contempla, do alto dessa ilha, as longínquas costas da minha pátria.

Esse cachimbo aqui é o trigésimo, pelo menos é o que eu pude contar. É o suficiente para abrir bem os meus olhos. Agora, examinando o parque, eu começo a ver menos claras as moitas e os maciços, menos claras as tílias do terraço, que retorcem para o céu negro, seu ramos de serpentes entrelaçadas; — mais claras as formas imprecisas, descoloridas e vacilantes que escorregam aqui e ali pelas brumas da noite…

O ópio não evoca os fantasmas. Muito pelo contrário, seu poder obscuro e soberano os assusta. Eu sei que a fumaça negra, dispersa agora sobre meu tapete, basta para me proteger de qualquer ataque fantástico. As delgadas aparições que erram pelo parque não ousarão jamais transpor o encosto dessa janela, — jamais! Mas eu, graças ao ópio intrépido e clarividente, eu os vejo ali onde eles estão. E assim livremente eu passeio dentro dessa minha próxima pátria.

E eis porque eu escolhi o Palácio Vermelho como asilo. Eis porque, a cada tarde, penosamente, eu arrasto para cá minha fadiga dolorosa de fumeur insaciado. Onde, melhor que nessa morada manchada de sangue, do teto às pedras do chão, encontraria eu as visões com as quais alegrar unicamente meu ser já quase morto?

 

Os fantasmas erram próximo aos lugares onde estão os seus cadáveres. O Palácio Vermelho, horrível e lamentável necrópole, formiga de pálidos fantasmas chorosos.

Eis meu sexagésimo cachimbo. Esta tarde, eu fumei mais que normalmente. E eu vejo fantasmas desconhecidos, fantasmas mais antigos e mais tênues, fantasmas que são para as sombras recentes como essas sombras são para os homens vivos.

Normalmente, eu surpreendo a ronda habitual das almas deste século aqui. Elas são delicadas aparições mais ou menos deploráveis, de maneira alguma estranhas ou terríveis. Seus esqueletos estalam ligeiramente com a brisa e os farrapos das mortalhas e das vestimentas ainda flutuam ao redor deles.

Mas agora, eles se cercam chorosamente das suas tumbas, inquietos pela vinda desses espectros dos séculos passados. E vejo sair dos ciprestes toda uma gama dolorosa de seres levemente perceptíveis, que trazem consigo cordas, cimitarras e malhas. Estes são os supliciados e eu já os conheço, pois eles hoje se revelaram a mim desde o quinto cachimbo. Estes são os escravos, os eunucos e as mulheres infiéis. Suas aparições diáfanas nem mais fazem ruídos ao entrechocarem-se. E mal posso distinguir a forma esfacelada de seus corpos de outrora. Ainda que, eu leia em suas aparências de sofrimento e de temor e noto que sua dança grotesca evita o terraço das grandes tílias, evita também a ala negra que conduz à zaragatoa da tumba. Até mesmo na eternidade as vítimas têm medo do carrasco e fogem de seu fantasma mais terrível. A tumba permanece deserta e o príncipe continua a dormir sem ser perturbado em seu sono profundo. Entretanto, olhando melhor, se me parece que ali embaixo, os ramos das moitas se encresparam e eu vejo um esqueleto de cão rondando ao redor.

Outra vez, outra vez com o ópio. Eu vou andar hoje para além da fronteira que separa a embriagues da morte.

 

Já fumei cem cachimbos, todos muito grossos, e este ópio é uma mistura possante do Yunnam com o de Bènares. Todos os laços que a pouco me ligavam ainda ao meu andrajo acabaram de se romper. E dentro desse andrajo, só resta a força para levantar o bambu e para cozer a droga sob a chama.

A substância quase imaterial de minha alma está livre. E eu flutuo a vontade sobre a relva do parque. Vou ver a tumba do príncipe grego decapitado, e porquê se estremecem os ramos e as folhas das árvores…

 

Isso é bem dele. Sua alta estatura espanta os ciprestes e eles tremem. Eu o vejo erguer-se de seu fosso, — com o sangue correndo ainda em seu pescoço decepado. Suas roupas bordadas em ouro acabam brilhando apesar da podridão do solo úmido e sua cabeça cortada range os dentes ao seu lado.

Agora, ele caminha. Assustados e apavorados, todos os fantasmas retornam à sua insignificância.

Ele traz a sua cabeça pelos cabelos. Eu percebo os pelos brancos de sua barba se embaraçarem nos espinhos do caminho. As gotas vermelhas se coagulam sobre a areia e o cão esqueleto se acompanha farejando com passos furtivos.

Ele toma a aleia mediana que conduz ao interior do Palácio Vermelho. Mas defronte a porta, o odor da droga monta a guarda; e sem se deter, ele passa. Ele sobe nos degraus de mármore que levam ao terraço, — o terraço das grandes tílias, o terraço impregnado de sangue, de sangue antigo.

Ele sobe com grandes passadas lentas, — uma maneira de príncipe e de senhor. Sob as estrelas suas mãos luzem de anéis e às vezes ele a firma sobre uma coluna ou uma balaústra, imperiosamente.

Ele sobe. O cão trotando logo atrás por vezes se detém, inquieto. Os largos degraus se alternam de aléias em cornijas. Na sombra, por debaixo das rampas firmes, o Palácio Vermelho mal se distingue, e não se percebe mais que o mar, batendo lugubremente ao fundo dos patamares.

Bastante alto, o terraço se ergue como um cadafalso. As tílias o cobrem com um véu de folhas negras e os musgos esfarrapados arrastam-se a seus pés como uma mortalha funerária.

A silhueta sem cabeça chega aos últimos degraus. Mas eu a vejo deter-se de súbito, como defronte a um precipício. E o cão esqueleto, que já avançava se estremecendo todo, volta e foge a toda pressa, com pulos fantásticos por cima dos espinheiros. A cabeça cortada estranhamente estremece sobre o solo, com cada um de seus cabelos eriçados de terror.

E como eu me aproximei, ansioso por conhecer essa causa assombrosa, o fantasma vacila e se descolore. E então eu pude ver através dele; e não havia nada mais que um vapor cinza, onde brilhavam ainda, aqui e ali alguns dourados, um pouco das lantejoulas do bordado ou das joias. Depois, mesmo isso se atenua e se esfaz, e se confunde dentro do negro. A cabeça cortada subsiste ainda por um segundo, o clarão dos olhos brancos sobrevive nos contornos perdidos. E tudo se dissipa. E não há mais nada que a noite.

O terraço está absolutamente negro. Os terríveis fogos-fátuos retornam sobre a terra. Os troncos mortos das tílias tremem de pavor, desprendendo pequenos pedaços de casca que vão se ocultar sob os musgos.

Entretanto, os fantasmas tristes que erram aqui não são nada terríveis. Eu os vejo: dois corpos de crianças degoladas que choram com lágrimas silenciosas. E nada mais…

Mas sim, há sombras ainda, confusas, mescladas, obscuras, muito próximas do nada. Alguma coisa que se arrasta ao rés-do-chão; — que fervilha na lama vermelha: — isso é uma fervura horrível de membros amputados, de cabeças exangues e de corações arrancados de seus peitos. Crimes indizíveis emergem confusamente da terra farta. E agora, eu sei, eu sei… Eu remontei o curso de todos os séculos. E vejo vir do fundo da bruma antiga a criatura que verte todo esse sangue.

A vejo… Ela é quase como um morcego gigante, uma mulher-morcego-gigante que roça as árvores com seu vôo aveludado. Eu aprecio a beleza mortal de sua face que inspira o amor e a opulência de sua sombria cabeleira embaraçada de serpentes venenosas.

Eu a reconheço. Ela se chama Medéia. E é aqui que ela apanha seus filtros, aqui que ela envenena e que dilacera. — Aqui os heróis louros, conquistadores de ouro, a deitam palpitantes sob a erva amorosa. — Aqui que ela se vinga sob a carne de sua carne e pune cada beijo roubado com um cadáver de criança.

 

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Será que meu corpo, ali embaixo, na fumaria do Palácio Vermelho, estará agora de fato morto?

 

 

Euximogrado, 24 de outubro 1902